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Pai de suspeito morto após abordagem da PM diz que tentou impedir as agressões: ‘Falei que era trabalhador’

Aposentado presenciou momento em que o filho foi agredido por quatro policiais em bairro de Bauru (SP). Homem de 35 anos era suspeito de tentar assaltar motorista de aplicativos. Família nega que ele seja criminoso.

19/10/2019 15h28Atualizado há 4 semanas
Por: Moisés de Oliveira
O farmacêutico Rodrigo José de Souza Cunha morreu após abordagem da PM — Foto: Arquivo pessoal
O farmacêutico Rodrigo José de Souza Cunha morreu após abordagem da PM — Foto: Arquivo pessoal

O pai do suspeito que morreu na madrugada desta quinta-feira (17) após uma abordagem policial, em Bauru (SP), disse em entrevista à TV TEM que presenciou toda a ação e afirmou que tentou impedir as agressões.

“Eu e minha esposa fomos lá pra socorrer o Rodrigo e tentei acalmar os policiais. Eles [PMs] disseram que meu filho era vagabundo, mas eu falei que não precisava bater, que meu filho era trabalhador”, relatou o aposentado.

O caso aconteceu na madrugada desta quinta-feira (17) e segundo o boletim de ocorrência, a PM foi acionada a princípio para atender uma tentativa de furto.

Na chegada ao local, encontraram Rodrigo José de Souza Cunha, de 35 anos, e um motorista de aplicativo que o acusava de roubo. Os dois já tinham brigado e estavam machucados por causa da confusão.

Ainda segundo o boletim de ocorrência, Rodrigo estava bastante alterado e foi necessário uso de “força moderada” para contê-lo.

No entanto, imagens da abordagem mostram que Rodrigo foi violentamente agredido com socos, chutes e até golpes de cassetete por pelo menos quatro policiais. 

Na sequência, Rodrigo foi transferido para uma viatura do Resgate do Corpo de Bombeiros, que o levou até a UPA da Bela Vista. A morte dele foi constatada às 3h15 da quinta-feira por parada cardiorrespiratória.

O pai de Rodrigo conta também que o filho era usuário de drogas e que quando usava entorpecentes ficava agressivo. Contudo, ele alega que Rodrigo trabalhava como farmacêutico e não havia necessidade das agressões, pois já estava imobilizado.

O aposentado alega que as agressões só pararam quando ele informou que seu outro filho também era policial militar e que estava em serviço naquele momento.

Rodrigo foi enterrado na manhã desta sexta-feira (18) no Cemitério Cristo Rei, em Bauru.

Investigação

A Polícia Civil ainda aguarda o laudo do Instituto Médico Legal (IML) que deve apontar o que causou a morte da vítima. O delegado Carlos Creppe Júnior, responsável pelo caso, ainda vai ouvir a família do rapaz e os policiais envolvidos no caso. Ele também espera o resultado do laudo do IML.

Rodrigo Souza Cunha tinha uma passagem pela polícia em 2016 pela Lei Maria da Penha, Na época, ele foi preso em flagrante por violência doméstica. Por isso, a ex-mulher conseguiu uma medida protetiva para impedir que Rodrigo se aproximasse dela.

Nota da PM

Em nota, a PM informou que se deslocou até o local dos fatos após receber a notícia de que teria ocorrido um furto de veículo e ao chegar se deparou com um aglomerado de pessoas e entre eles estava Rodrigo, sem camisa e bastante alterado.

Ainda segundo a PM, ele tinha sangramentos na cabeça e no rosto. No local, os policiais foram informados que na verdade Rodrigo teria tentado roubar o motorista de aplicativo e, inclusive, teria o ameaçado dizendo estar armado.

Ainda segundo a nota da PM, o motorista de aplicativo informou que antes da tentativa de roubo teria levado Rodrigo até um bairro conhecido pelo tráfico de drogas , onde ele teria descido do carro por alguns minutos e depois retornado afirmando que havia feito uso de cocaína e nesse momento teria ameaçado o motorista dizendo estar armado, pego o celular da vítima e fugido correndo.

Com informações - G1

 

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