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Alunos podem optar por não responder a “perguntas ofensivas” em Universidade

Professores da Universidade de Sheffield foram alertados sobre “temas aflitivos”

27/11/2018 08h41
Por: Moisés de Oliveira
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Universidade de Sheffield, Inglaterra (foto/divulgação)
Universidade de Sheffield, Inglaterra (foto/divulgação)

Estudantes da Universidade de Sheffield, Inglaterra, levaram à diretoria da instituição suas preocupações com temas que os entristeciam. A reitoria então os autorizou a não responder eventuais perguntas em provas ou trabalhos sobre assuntos que poderiam ser ofensivos a eles.

Os professores da Universidade também foram instruídos a não incluir tópicos como racismo, religião e gênero, devendo apresentar uma abordagem alternativa.

A lista de temas “sensíveis e controversos” no curso de Literatura Inglesa incluem política, raça, identidade de gênero, fé e religião, pedofilia, transtornos mentais, sexualidade, drogas e álcool, estupro, aborto, deficiências, tortura, e violência doméstica ou sexual, destaca o jornal Sunday Times.

A decisão gerou controvérsia, com especialistas em educação usando essa “lista de isenções” como outro exemplo de favorecimento do que chamam de “geração floco de neve”, alertando que a Universidade não estava preparando jovens para o mundo real.

Chris McGovern, uma liderança da Campanha pela Educação Real, disse: “Esses alunos precisam amadurecer. Se eles não conseguem lidar com certas questões no ensino superior, então não deveriam estar na universidade. Dar-lhes privilégios não é prepará-los para a vida”.

O sociólogo Frank Furedi acrescentou que o sistema de educação da Inglaterra estava “cultivando a fragilidade dos estudantes”.

Flocos de neve no Brasil

A expressão “flocos de neve” ganhou popularidade dois anos atrás, quando segmentos da direita passaram a se referir desta maneira à oposição durante as eleições norte-americanas e o debate sobre o Brexit.

O termo é político, mas foi adicionado ao Dicionário Cambridge de Língua Inglesa em novembro de 2016.

Ainda que no Brasil seja chamado por outros nomes, como “geração Nutella”, os integrantes dessa geração apresentam o mesmo tipo de atitude.

A professora universitária Myrian del Vecchio tem percebido, de poucos anos para cá que os alunos demonstram ter uma sensibilidade muito aflorada. “Tenho alunos de 19, 20 anos, que não aceitam críticas, deixam de fazer trabalhos porque dizem estar deprimidos ou têm receio de enfrentar determinadas tarefas”, relata.

Já a psicanalista Juliane Kravetz explica que é bastante comum lidarmos com situações que geram angústia, mas é importante tentar enfrentá-las. “Se torna um problema quando a pessoa passa a usar sua sensibilidade ou sintoma de depressão para mascarar algo que realmente pode ajudar em seu crescimento pessoal”, explica à Gazeta do Povo.

Ulisses Natal, coordenador adjunto do curso de psicologia da PUCPR, avalia que o que esse comportamento cada vez mais comum nas redes sociais, “É o espelho de como está a sociedade.” Acrescenta ainda que a raiz do problema está na falta de frustrações sofridas durante a infância. “As crianças precisam se frustrar. Quando os pais dizem sim para tudo, elas crescem achando que ninguém deve lhes impor limites”, encerra.

Com informações - Gospel Prime

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