O autor Arthur C. Brooks As instituições de caridade, como um todo, sofrerão os efeitos da crise proporcionalmente ao resto da economia. Por exemplo, se o Produto Interno Bruto (PIB) americano cai dois pontos percentuais, a renda das instituições provavelmente cairá em torno de 1,4%, diz Arthur C. Brooks, presidente do American Enterprise Institute (Instituto de Empreendimentos Americanos) e autor de Who Really Cares? The Surprising Truth About Compassionate Conservatism (Quem realmente se importa? A surpreendente verdade sobre o conservantismo compassivo).
Mas algumas organizações não lucrativas – “sopão”, o Exército da Salvação, e outras que trabalham diretamente com os mais carentes – realmente recebem mais dinheiro durante a recessão, diz Brooks, porque os doadores são mais conscientes de que as necessidades de seus dependentes aumentam.
As doações para organizações seculares sofrem queda maior do que a queda do PIB, enquanto doações para organizações religiosas tipicamente caem menos. As recordistas são as não lucrativas que dependem de grandes doações, como orquestras sinfônicas e instituições relacionadas à preservação ambiental.
Os doadores também reagem de maneiras diferentes à recessão, diz Brooks. Doadores religiosos, que, em geral, dão quatro vezes mais que os doadores não religiosos, apresentam, num momento ruim da economia, muito menos chance de parar de doar que os não religiosos.
“Há vários motivos para as pessoas doarem, desde o sentido de sociedade ou de comunidade até uma intensa paixão à observância religiosa de motivações puramente econômicas devido à publicidade”, disse Brooks à Christianity Today. “Mas o que você encontra são pessoas religiosas que tendem a dar sob todas as circunstâncias, porque elas acreditam que estão se reportando a uma autoridade maior e não apenas ao que está acontecendo ao seu redor”.
Tudo isso é uma boa notícia para as igrejas. Historicamente, doações a igreja tendem a manter o nível por um ou dois anos de recessão antes de caírem, diz Sylvia Ronsvalle, vice-presidente executiva da Empty Tomb, Inc., um ministério de pesquisa com base em Illinois. De fato, dar na igreja, como um percentual de renda, foi maior durante os primeiros anos da Grande Depressão do que em qualquer outro momento desde então – em torno de 3,5%.
Ao fim da Grande Depressão, entretanto, a renda de 1,5% dos membros de igreja havia sofrido uma enorme queda. Dados das últimas seis recessões mostram resultados mistos – em três das recessões, as doações diminuíram, e, em outras três, aumentaram – mas somente em 1970 as doações realmente caíram no primeiro ano de recessão.
Altos níveis de doação se devem ao relacionamento muito próximo das pessoas com suas igrejas, diz Ronsvalle. Quem dá na igreja também vê os resultados de suas doações quase imediatamente, então, as pessoas são mais propensas a continuar dando.
“As pessoas tradicionalmente vêem a igreja, quanto à contabilidade, apenas abaixo da família”, disse Ronsvalle à Christianity Today. “Como as pessoas vão com certa regularidade e ouvem sobre as necessidades ali existentes, isso se torna uma realidade para elas”.
A maior parte dos projetos das igrejas, como as expansões nas construções, tende a passar por maus momentos durante as recessões, embora possa, ainda assim, ser bem-sucedida, diz William Walter, presidente da Church Growth Services, um grupo que dá aconselhamento às igrejas sobre estes tipos de campanhas, tão importantes.
Os ativos de capital (estoques, contas de poupança e propriedade), geralmente se constituem nas maiores doações numa campanha de investimentos. Eles são, claramente, menos seguros quando a economia está ruim.
Mas Walter, que lida com negócios desde 1973 e já viu várias recessões, diz que as igrejas que já estão em campanha, ou com razões óbvias para começar alguma, vão se sair bem. “Havendo onde quer que seja uma visão irresistível e uma necessidade que seja evidente para o projeto em mãos, o povo de Deus vai responder à altura”, diz Walter. “Às vezes, a generosidade realmente aumenta – pelo menos o nível de sacrifício aumenta – em tempos de vacas magras”.
Fonte: Cristianismo Hoje
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