A Igreja Perseguida no Sri Lanka

  
 
O Sri Lanka, antigo Ceilão, é uma ilha localizada a cerca de 30 km da costa da Índia. Montanhas dominam a região centro-sul, e algumas delas fazem parte de roteiros de Imagem Ativaromarias e peregrinações cumpridas por adeptos de várias religiões. Planícies se estendem da região montanhosa até a faixa costeira ao norte do país. Grande parte da ilha é coberta por florestas tropicais.

Cerca de 25% dos 19 milhões de habitantes da ilha possuem idade inferior a 15 anos. A maioria vive em áreas rurais e apenas 22% da população habita em centros urbanos. Quanto à composição étnica, os cingaleses correspondem a 74% da população, enquanto 18% são tâmeis e 7% são árabes.

Após quase 500 anos sob o domínio colonialista de portugueses, holandeses e ingleses, o Sri Lanka ganhou sua independência e tornou-se uma democracia parlamentarista em 1948. No anos 50, tentativas de "cingalizar" o país resultaram em conflitos étnicos e em tentativas de se criar um estado tâmil independente no nordeste do país. Em 1983, uma guerra civil tomou conta do país e as tensões continuam até os dias de hoje.

O sistema de governo é uma república com forte poder executivo alicerçado em uma variação da lei comum inglesa. A liberdade de consciência, pensamento e culto foi estabelecida na constituição de 1978.

O Sri Lanka é uma nação pobre principalmente devido à longa guerra civil que afetou fortemente a economia do país. A renda per capita se situa em menos de US$ 500 por ano. Antes de a guerra civil eclodir, a indústria do turismo era uma importante fonte de receitas para a ilha, mas ela enfrentou um drástico declínio com o advento do conflito étnico.

Pode-se dizer que o Sri Lanka é uma nação predominantemente budista, pois quase 70% da população pratica essa religião. Na prática, todos os habitantes da etnia cingalesa são budistas. O segundo maior bloco religioso é formado por hindus, que abrangem quase 16% da população. Os cristãos correspondem a 7,4% e os muçulmanos a 7,6%.

A Igrejavoltar ao topo

Diz a tradição que Tomé, o apóstolo, foi o primeiro a evangelizar a ilha. Relatos de visitantes, feitos anteriormente ao século VI, reportam a existência de inúmeras igrejas e convertidos. Com a chegada dos portugueses, em 1505, houve a introdução do catolicismo no país. Já no século XVII, os holandeses introduziram o cristianismo reformado e, no século XIX, os britânicos trouxeram o anglicanismo. Atualmente, os católicos são o maior bloco cristão, com cerca de 6% da população, enquanto as novas igrejas independentes do Sri Lanka correspondem respondem por 1,3% dos ilhéus. A igreja tem perdido um número considerável de membros que voltam para o budismo, mas ela também vem passando por importantes mudanças com o objetivo de alcançar os não cristãos.

A Perseguiçãovoltar ao topo

Um novo crescimento da igreja tem suscitado reações das comunidades budistas e hindus. Em conseqüência, a propaganda anticristã vem aumentando substancialmente na mídia, acompanhada de acusações contra igrejas, exigências de restrições mais severas e, em casos mais extremos, do incêndio criminoso de templos cristãos. O trabalho missionário é restrito e os vistos estão cada vez mais difíceis de serem obtidos. O ministério na área rural, por sua vez, é limitado em função das restrições e da falta de missionários. Como resultado, muitas áreas encontram-se completamente abandonadas pelo cristianismo.

Algumas regiões do sul da ilha têm se mostrado particularmente hostis ao Evangelho. Apesar dos perigos e riscos, Lalani Jayasinghe, uma notável mulher de Deus, tem dado sua vida como "sacrifício vivo" para servir o povo do Sri Lanka. Em 1986, ela casou-se com Lionel, um pastor. Juntos e com muitas dificuldades, eles trabalharam para ministrar e se identificar com o povo, sendo admirados e amados por muitas pessoas. Muitos viam a sinceridade da vida do casal e eram levados a aceitar ao Deus que eles pregavam. Lalani e Lionel, no entanto, enfrentaram uma oposição ferrenha de outros líderes religiosos.

"Eu não faço as pessoas mudarem de religião, apenas lhes digo que Deus pode mudar suas vidas porque Ele já mudou a minha", declarou certa vez o pastor Lionel.

Em 25 de março de 1988, Lalani, seu marido e dois colaboradores da igreja estavam reunidos no lar do casal quando ouviram alguém bater à porta. Um dos colaboradores atendeu a porta e encontrou dois homens que procuravam pelo pastor. Lionel foi à porta e se identificou. Então, sem dizer qualquer palavra, um dos homens sacou uma arma e lhe deu um tiro, atingindo-o na boca. Com as mãos em seu rosto, Lionel correu em direção ao quarto onde sua mulher e o bebê estavam, caindo de joelhos na cabeceira da cama. Um dos agressores o seguiu e o apunhalou diversas vezes, enquanto o outro disparava mais tiros contra ele. Os homens fugiram a pé e nenhum vizinho veio em socorro, pois todos ficaram paralisados de medo.

Lalani conseguiu levar seu marido ao hospital, porém ele já chegou sem vida. Ao retornar para casa e entrar no quarto ensangüentado, ela relembrou a terrível experiência que vitimou seu amado marido. Entretanto, no seu íntimo, ela sabia que aquilo não era o fim, mas o início.

O funeral de Lionel foi marcado por um clima extremamente tenso e por uma atmosfera carregada de incertezas sobre o que aconteceria em seguida. Sobre o túmulo de seu marido foi colocada uma placa de concreto com uma cruz. Era a única cruz que podia ser vista em qualquer cemitério daquela região, a qual se estendia por cerca de 80 km e abrangia uma população de meio milhão de pessoas. Mas aquela cruz também se tornou o símbolo do Cristo vivo, que ainda se expressaria por intermédio da viúva daquele mártir, cujo sangue foi vertido para germinar a semente do reavivamento cristão no Sri Lanka.

Os líderes da igreja tentaram confortar Lalani e estavam preocupados com seu futuro. Um pastor ofereceu-se para acomodá-la em uma área mais segura, mas Lalani recusou a oferta. "Toda vez que eu ver as manchas de sangue do corpo de meu marido, serei encorajada a ficar e a dar continuidade à visão pela qual ele sacrificou sua vida."

Lalani recebeu ameaças de morte em duas ocasiões, mas resistiu sem temor. Ela continuou criando seu filho nos caminhos de Deus e permaneceu onde seu ministério estava e está até hoje. Lalani ainda recebeu inúmeros convites para deixar aquele ambiente hostil e trabalhar em outras áreas, mas recusou todos eles.

A determinação de Lalani tem provocado mudanças. Ela e os demais obreiros têm alcançado todas as áreas vizinhas com o Evangelho e já estabeleceram sete igrejas, que abrangem mais de 1.200 cristãos.

O ministério de Lalani envolve muito esforço físico. Ela tem de caminhar longas distâncias para chegar às pessoas que ministra, pois não há meios de transporte. Muitas vezes, ela é obrigada a pernoitar no local e regressar só no dia seguinte. Tais dificuldades, no entanto, têm possibilitado a Lalani discipular pessoas e influenciá-las para que exerçam o ministério seguindo o seu próprio exemplo.

Lalani ainda enfrenta oposição de algumas pessoas, mas continua a anunciar o Evangelho de forma ousada e obstinada. Atualmente, ela atua junto às Assembléias de Deus do Sri Lanka e seu exemplo de vida tem dado coragem a muitos que sofrem as agruras da perseguição. Lalani também já teve oportunidades de visitar as áreas ao norte do país, mais atingidas pela guerra civil, para testemunhar e levar conforto espiritual aos que perderam familiares nos conflitos.

O Futurovoltar ao topo

Embora a igreja esteja crescendo em número por meio dos nascimentos em lares cristãos, ela está perdendo membros para o budismo e sua participação percentual na população total do país está em declínio. No entanto, o atual processo de crescimento parece estar ganhando velocidade e revertendo declínios anteriores. Há uma onda de renovação na vida espiritual, especialmente entre os evangélicos. Por volta de 2050, a igreja poderá alcançar a casa de dois milhões de membros,

Motivos de Oraçãovoltar ao topo

1. A igreja desfruta de uma liberdade limitada. O crescimento da igreja causa reações e testa os limites das oportunidades que o cristianismo possui no país. Ore para que a igreja no Sri Lanka trabalhe de forma eficaz e eficiente, compartilhando o Evangelho com ousadia.

2. A igreja sofre com o nominalismo. Quando foi inicialmente implantada, a igreja, de maneira geral, adotou os moldes ocidentais e falhou completamente em se contextualizar na cultura do Sri Lanka. Como resultado, a evangelização foi ineficaz e a igreja sofreu perdas para o budismo. Ore para que as igrejas contextualizem o Evangelho e voltem a valorizar a santidade e a teologia bíblica.

3. A igreja é atingida pelos constantes conflitos étnicos. Mais de 25 mil pessoas já morreram e cerca de 1,4 milhão fugiram das áreas de conflito, ou mesmo do país, como resultado da guerra civil. Ore e peça o término dos conflitos e o estabelecimento da paz no Sri Lanka. Ore também para que a igreja seja um agente de peso nos processos de reconciliação e restauração.


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Fonte base do texto:
• Livro Cristianismo de alto risco   (São Paulo, Carrenho Editorial, 2002)

Fonte base do mapa:
• Globalis (em inglês)    
  Estatísticas  
  
Para saber mais: 
 • WorldAtlas.com - Mapas do Sri Lanka (em inglês) 
 

 
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