É preciso que a sociedade faça a sua parte
 
Ele faz parte da vida de muitos. Seu consumo é encarado com naturalidade entre diversas culturas. Seu uso é associado a comemorações, celebrações de negócios, cerimônias religiosas e eventos. Desde crianças, muitas pessoas encaram tomar um gole no copo do papai ou da mamãe como algo divertido e os pais até acham isso “bonitinho”.

Porém, segundo a Secretaria Nacional Anti Drogas (SENAD), o álcool é o responsável por 3% de todas as mortes no mundo. Seja por câncer, cirrose, quedas, acidentes e até suicídios. Nos países em desenvolvimento entre eles o Brasil, as bebidas alcoólicas são um dos principais fatores de doença e mortalidade, com seu impacto sendo considerado entre 8 e 14%, 9 do total de problemas de saúde dessas nações.

Embora muito se imagine que as bebidas alcoólicas não são uma espécie de drogas, elas são. E ainda uma das piores já que podem ser encontradas em qualquer lugar e seu consumo é liberado. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), droga é qualquer substância que, não sendo produzida pelo organismo, tem a propriedade de atuar sobre um ou mais de seus sistemas, produzindo alterações em seu funcionamento. As drogas naturais são obtidas através de determinadas plantas como por exemplo a nicotina que é presente no tabaco e o THC tetrahidrocanabiol, da maconha. As drogas sintéticas são fabricadas em laboratório e precisam de técnicas mais especiais como por exemplo o LSD.

Outra definição bastante utilizada atualmente, refere-se a drogas psicotrópicas ou psicoativas. Psicotrópico significa atração pelo psiquismo e drogas psicotrópicas são aquelas que atuam sobre o cérebro, alterando de alguma maneira o psiquismo sendo capaz de afetar os processos mentais (pensamento, memória e percepção). O álcool e a heroína são algumas delas.

Este tipo de droga pode ser absorvida de várias formas: por injeção, inalação, via oral, injeção intravenosa ou aplicadas via retal (supositório). Um estudo do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID), mostra que do ano de 2001 a 2005 houve no Brasil um aumento significante do consumo de drogas alucinógenas como maconha e cocaína. Para a psicóloga, Elaine Cruz a invasão das drogas na sociedade se deve a motivos muito graves.

“Existem países que elevam sua economia por causa do tráfico, além de uma gama de políticos no exterior que são pagos com este tipo de comércio. Isso facilita a entrada das drogas em diversos locais e assim os jovens tem tido cada vez mais acesso”, afirma. Entretanto, para ela o motivo pelo qual a pessoa consome entorpecentes é uma questão básica: o vazio existencial.

“Vazio de conteúdo, valores, afeto... a família não está mais tão próxima. As relações interpessoais são complicadas. Os amigos deixam de ser verdadeiros e não acompanham de fato a pessoa com mesma sinceridade. Com tudo isso, este vazio torna tudo um tanto sem sentido”, explica a psicóloga. De acordo com ela, o pensamento que surge é o de que não vale a pena ter uma vida muito nítida. É quando esta questão vai anular os sentimentos e as vontades. Com isso, tudo que se passa é esquecido e a realidade anulada.

“Já que eu não gosto da minha vida real, prefiro estar inconsciente e me drogar, criando uma fuga desta problemática”, esta é a idéia que se passa na mente desta juventude.

O papel da sociedade

A obrigação de pais, pastores e da sociedade como um todo é começar a levar um pouco mais de vida com sentido para este jovem. Com esportes, amizades, afeto... e chegar mais perto deles ao invés de ficar somente acusando, o que seria muito fácil.

Elaine destaca que a grande maioria destes indivíduos não sabe o que vai fazer da vida, sem ter ao menos perspectiva profissional. Sofre dúvidas com relação a sexualidade e ao futuro. “Muitos deles após passarem por tragédias vendo a morte de seus pais devido a violência urbana, passam a acreditar que precisam viver tudo de forma intensa, já que não terão muito tempo para isso. A mudança desta perspectiva é algo que precisamos trabalhar”, conclui.

Acompanhe na próxima semana, a segunda matéria da reportagem "O drama das drogas" com o testemhunho do cantor PG que deixou o vício e hoje é um dos mais queridos cantores do gospel nacional.
 
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