Lição: Deus ama a simplicidade

Mas temo que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos entendimentos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo. 2 Coríntios 11:3, Edição Contemporânea Conversava nesta semana com uma aluna da Escola de Ministérios que é artista plástica sobre a dificuldade de abandonar o desenho acadêmico, depois que é aprendido, a fim de pintar de forma abstrata. A pintura abstrata é um retorno à maneira infantil de desenhar; é difícil ser simples, quando se aprendeu a ser complexo. Simples:

(1) característica daquilo que não é duplo; característica daquilo que não é complexo.

(2) Simplicidade = sinceridade, genuinidade, integridade. O texto nos ensina que há uma simplicidade em Cristo. E essa simplicidade é padrão para nós, que conhecemos a Jesus a temos a Sua mente.

1 Coríntios 2:16b Nós, porém, temos a mente de Cristo. Filipenses 2:5 Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus. Efésios 4:20 Todavia, não foi isso que vocês aprenderam de Cristo. O que foi que aprendemos de Jesus? Lucas 18:16, 17 Mas Jesus chamou a si as crianças e disse: “Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a elas. Digo-lhes a verdade: Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, nunca entrará nele”.

A criança, ao menos quando não corrompida por programas televisivos e etc., é sempre simples, no sentido de não conseguir ser dupla. Quem já foi a uma festa de aniversário de criança e deu um presente que ela não gostaria de ganhar? Para terror de seus pais, com certeza ela demonstrou que não gostou! Isso pode nos constranger ­ mas é uma forma de simplicidade, de honestidade e transparência!Você já tentou brincar com uma criança, quando ela perdeu o interesse pelo brinquedo? Ela deixa claro, com toda a simplicidade, que não quer mais brincar, e ponto final! O contrário da simplicidade é a duplicidade. Alguém duplo é alguém que possui “duas caras”, como se diz popularmente; que não possui integridade, no sentido de que não se pode dizer que ele seja o mesmo o tempo todo.

Alguém que perdeu a singeleza, que aprendeu a representar um papel. Quem abandona a simplicidade, logo desenvolve duas características: dissimulação e astúcia. Dissimulação, porque por várias razões projeta uma imagem de si que não é verdadeira: Lucas 20:20 Pondo-se a vigiá-lo, eles mandaram espiões que se fingiam justos para apanhar Jesus em alguma coisa que ele dissesse, de forma que o pudessem entregar ao poder e à autoridade do governador. Aqui, o objetivo era prejudicar a Jesus; mas a motivação pode ser também o egoísmo, o interesse próprio, o orgulho. Qualquer motivo que nos leve a tentar parecer o que não somos de fato.

Astúcia, porque é preciso adequar seu modo de falar e comportar-se para se ajustar à sua atitude dissimulada: Josué 9:3, 4 Contudo, quando os habitantes de Gibeom souberam o que Josué tinha feito com Jericó e Ai, recorreram a um ardil. Enviaram uma delegação, trazendo jumentos carregados de sacos gastos e vasilhas de couro velhas, rachadas e remendadas. Todo um contexto foi preparado para tornar válida e eficaz a dissimulação. Jó 15:5 Você adota a linguagem dos astutos. Veja que os astutos desenvolvem uma linguagem que lhes é própria. Exemplo: quem vive no adultério. Abandona a simplicidade de um relacionamento conjugal correto, e logo precisa recorrer à astúcia para dissimular seu comportamento.

O Reino de Deus é um convite para retornarmos à simplicidade. Não há lugar para dissimulação e astúcia; não há lugar para tentar aparentar o que não somos. 2 Coríntios 1:12 Ora, a nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência, de que com simplicidade e sinceridade de Deus, não com sabedoria carnal, mas na graça de Deus, temos vivido no mundo, e especialmente para convosco. Atos 2:46 tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração. Colossenses 3:22 Vós, servos, obedecei em tudo a vossos senhores segundo a carne, não servindo só na aparência, como para agradar aos homens, mas em simplicidade de coração, temendo a Deus. O que significa, na prática, vivermos essa simplicidade do Reino de Deus? Viver a simplicidade do Reino significa abandonar a preocupação com “muitas coisas”, e trocá-la pelo que realmente tem importância. Lembrando que a primeira definição de “simplicidade” é a característica daquilo que não é complexo (complicado). Lucas 10:38-41 Caminhando Jesus e os seus discípulos, chegaram a um povoado, onde certa mulher chamada Marta o recebeu em sua casa.

Maria, sua irmã, ficou sentada aos pés do Senhor, ouvindo a sua palavra. Marta, porém, estava ocupada com muito serviço. E, aproximando-se dele, perguntou: “Senhor, não te importas que minha irmã tenha me deixado sozinha com o serviço? Dize-lhe que me ajude!” Respondeu o Senhor: “Marta! Marta! Você está preocupada e inquieta com muitas coisas; todavia, apenas uma é necessária. Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada”. Fica claro que, para Jesus, o que era realmente importante era estar aos Seus pés, em comunhão com Ele. Lembrar a palavra profética desta semana: Por que estamos preocupados, agitados com muitas coisas? Só uma coisa é importante! Quando nossa vida deixa de ser simples, gastamos cada vez mais tempo com coisas que não têm tanta importância.

Marta “precisava” apresentar-se diante de Jesus como uma dona de casa excelente; todavia, era isso que realmente importava, com o Senhor ali na sala? Se não podemos “abandonar as panelas” para simplesmente estar com o Senhor, isso é um sinal de que nos tornamos complicados demais. Precisamos voltar a ser simples! Será que o Senhor não está nos chamando para um estilo de vida mais simples? A história do irmão que tinha tempo para Deus e para os irmãos ­ até comprar uma chácara e fugir para lá todo final de semana! Aquele novo emprego, cujo salário é “astronômico”... Vai representar quanto mais, em termos de comprometimento do seu tempo? Neste fim de ano que se aproxima, que tal rever nossos valores? Precisamos do mais caro? Se meu estilo de vida se tornar mais simples, não terei menos dor de cabeça, menos contas a pagar e mais tempo para investir no que realmente importa? O que realmente importa? Qual o valor máximo, aquilo de maior importância? Marcos 12:29, 30 Respondeu Jesus: “O mais importante [mandamento] é este: ‘Ouve, ó Israel, o Senhor, o nosso Deus, o Senhor é o único Senhor.

Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todo o seu entendimento e de todas as suas forças’”. Marcos 12:33 Amá-lo de todo o coração, de todo o entendimento e de todas as forças, e amar ao próximo como a si mesmo é mais importante do que todos os sacrifícios e ofertas. À declaração “o Senhor é o único Senhor” corresponde a ordem para que o amemos de todo o coração, etc. E esse amor integral é mais importante do que qualquer prática exterior! Há muita gente que anda praticando as formalidades exteriores de culto a Deus, mas que na prática vive em adultério espiritual, porque seu coração não pertence totalmente ao Senhor. Perdeu a simplicidade! O que o Senhor espera de nós? Não é a prática ousada de “atos espirituais”.

Não é que jejuemos 45 dias e oremos quinze horas por dia. É simplesmente que O coloquemos em primeiro lugar em nossas vidas e que, com simplicidade, nos aproximemos dEle diariamente para amá-lo e adorá-lo como o único Senhor de nossas vidas. Qualquer outra prática precisa ser validada por essa realidade interior! É por isso que a adoração, para nós, é sempre um ato do espírito! João 4:21, 23 Jesus declarou: “Creia em mim, mulher: está próxima a hora em que vocês não adorarão o Pai nem neste monte, nem em Jerusalém. No entanto, está chegando a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o pai em espírito e em verdade. São estes os adoradores que o Pai procura”. Havia uma discussão religiosa entre os samaritanos e os judeus, sobre qual era o verdadeiro local de adoração: o monte Gerizim, em Samaria, ou Jerusalém? Jesus rejeita essa discussão como parte do passado, e afirma a chegada de um novo tempo, em que nossa adoração acontece no espírito ­ no mais profundo de nós, num coração renovado, que tem no Senhor sua maior alegria.

É ali, antes de tudo, que nossas prioridades precisam estar bem assentadas! Viver a simplicidade do Reino significa também viver diante de Deus como quem se conhece, e sabe de suas próprias limitações. Se decidir ser simples em meu relacionamento com o Pai, isso significa que estou liberto para ser eu mesmo. Não preciso tentar bancar o “supercrente” diante do Pai. 2 Coríntios 12:7-9 Para impedir que eu me exaltasse por causa da grandeza dessas revelações, foi-me dado um espinho na carne, um mensageiro de satanás, para me atormentar. Três vezes roguei ao Senhor que o tirasse de mim. Mas ele me disse: “Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”. Portanto, eu me gloriarei ainda mais alegremente em minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em mim.

Paulo está nos ensinando que podemos e devemos ser francos diante do Pai. Quem tem semelhante atitude, de transparência e simplicidade, ouve de Deus o que está no v. 9! Isto porque graça de Deus só é efetiva em nós quando nossas reservas pessoais chegam ao fim. Já se falou quase tudo acerca do “espinho na carne” de Paulo. Fora um ou outro exagero, talvez quase todos estejam certos! Paulo era um homem que tinha defeitos, e não eram poucos. Era um homem de natureza apaixonada ­ e pessoas assim freqüentemente vão aos extremos. Quando as Escrituras descrevem seu desentendimento com Barnabé (registrado em Atos 15:36-41), emprega uma palavra grega que significa literalmente “tempestade”; preso, diante do Senado judaico, ele deu uma resposta dura ao sumo sacerdote, e acabou tendo que se desculpar (Atos 23:3-5).

Não é impossível, portanto, que entre seus “espinhos” estivesse um temperamento forte, com o qual precisasse lutar constantemente! Em semelhante situação, o que devemos fazer? Não camuflar nosso problema, tentando escondê-lo dos outros e de Deus. O caminho da simplicidade é o caminho da transparência, da sinceridade. (Aliás, muitas vezes as palavras “simplicidade” e “sinceridade” são sinônimas nas Escrituras.) Eu imagino Paulo “chocado” diante de Deus: “Como é que o Senhor pode usar alguém como eu?” E a resposta era: “O meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”! 2 Coríntios 4:7 Mas temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar que este poder que a tudo excede provém de Deus, e não de nós.

Nada disso significa conivência com o pecado, ou prazer em fraquezas e falhas. Ao contrário; é impossível que eu me alegre por causa das minhas fraquezas. Paulo fala em se gloriar alegremente nas fraquezas, e não por causa delas. Se adotar uma atitude de transparência, de sinceridade, de simplicidade, posso me alegrar mesmo em meio às fraquezas, porque sei que o Senhor continuará Sua obra em minha vida! 2 Coríntios 3:18 E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito. A transformação acontece com aqueles que contemplam a glória do Senhor com o rosto desvendado (NVI, “com a face descoberta”). Não há transformação para os “mascarados”. É preciso primeiro tirar as máscaras. Precisamos ter a coragem de ser simples diante de Deus ­ não apenas descomplicados, deixando de lado o que é supérfluo e não tem importância para dar valor ao que realmente importa, mas também sinceros, singelos, transparentes, de forma que a graça de Deus possa nos atingir e agir em nossas vidas.

Pastor Rui
www.comunidadecarisma.com

 
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